Coleção multivariada
Normalidade multivariada (Mardia)
Testa a normalidade multivariada pela assimetria e pela curtose de Mardia, na tabela toda ou dentro de cada grupo.
O que o bloco faz
O bloco multi/mardia calcula a assimetria b₁,ₚ e a curtose b₂,ₚ multivariadas de Mardia (1970), com o teste qui-quadrado da assimetria (também com a correção de amostra pequena de Mardia, 1974) e o teste normal da curtose. O bloco recebe data/table e devolve uma tabela.
Antes de continuar
Termos que esta página usa, em poucas palavras. As definições completas estão no glossário.
- População
- O conjunto completo de unidades sobre o qual se quer concluir algo: todas as propriedades de uma região, todos os alunos de uma escola. Em geral não é possível medir todas, e por isso se mede uma amostra.
- Amostra
- A parte da população que é de fato observada. Quando é sorteada com probabilidades conhecidas, permite estimar características da população e medir a incerteza dessa estimativa.
- Intervalo de confiança
- Uma faixa de valores calculada a partir da amostra. Com 95% de confiança, o procedimento produz intervalos que contêm o valor verdadeiro em 95% das amostras possíveis; não quer dizer que um intervalo específico tenha 95% de probabilidade de acertar.
- Poder do teste
- A probabilidade de o teste detectar um efeito que de fato existe (um menos a probabilidade de erro tipo II). Cresce com o tamanho da amostra e com o tamanho do efeito, e diminui quando a variabilidade é grande.
- Normalidade
- Pressuposto de que os erros do modelo seguem a distribuição normal (em forma de sino). Em modelos lineares ele se confere nos resíduos, não nos dados brutos; desvios leves pesam pouco em amostras grandes.
Quando usar
Use Normalidade multivariada (Mardia) antes da discriminante, do M de Box, da fatorial por máxima verossimilhança e da esfericidade de Bartlett, que supõem normalidade multivariada. Testar cada variável sozinha não basta.
Pressupostos
As observações são independentes (um indivíduo por linha, sem medidas repetidas).
As estatísticas têm distribuição assintótica (χ² na assimetria, normal na curtose): com n pequeno a curtose é conservadora e a assimetria liberal — leia a linha de amostra pequena (Mardia 1974) quando n < 20.
Se falhar: Com poucos casos, olhe também os gráficos de cada variável (
view/qq) e não trate o não rejeitar como prova de normalidade.Os dados são de uma população: grupos com médias diferentes misturados na mesma tabela formam uma mistura que não é normal.
Se falhar: Informe o grupo para testar dentro de cada um, que é o que a discriminante e o M de Box supõem.
A covariância de cada grupo é inversível: n ≥ p + 2 e nenhuma variável é combinação exata das outras (o bloco recusa senão).
Verificar:Matriz de correlação
Configuração
- Variáveis — colunas numéricas; em branco, todas as numéricas menos o grupo.
- Grupo (opcional) — testa dentro de cada grupo, como a discriminante supõe.
- Confiança — a leitura rejeita quando p < 1 − confiança (padrão 0,95).
Exemplo
library(trama)
reg <- tr_registry()
tr_use("trama.multi", registry = reg)
tr_flow(reg) |>
tr_add("i", "multi/example", dataset = "iris") |>
tr_add("m", "multi/mardia", grupo = "Species", from = "i")No iris, com as quatro medidas e 50 flores por espécie, nenhum grupo rejeita a 5%: em setosa a assimetria é b₁,ₚ = 3,080 (χ² = 25,66 com 20 gl, p = 0,177; corrigida, p = 0,113) e a curtose b₂,ₚ = 26,54 (z = 1,29, p = 0,195). Em virginica a assimetria corrigida chega mais perto (p = 0,098).
Os p são assintóticos (qui-quadrado e normal com n grande) e pouco confiáveis em n pequeno. Com menos de 20 linhas na tabela ou num grupo o bloco avisa e aponta a linha de amostra pequena; 20 é a regra do pacote MVN para trocar para essa correção (código de MVN::mardia), não um limiar estabelecido na literatura.
Como interpretar
Na normal multivariada, b₁,ₚ = 0 e b₂,ₚ = p(p + 2) (24 com quatro variáveis). Rejeitar qualquer das duas é evidência contra a normalidade. Não rejeitar não prova normalidade: com poucas linhas o teste tem pouco poder; com muitas, rejeita desvios pequenos.