Coleção series-temporais
Phillips-Perron
Phillips-Perron: a série tem raiz unitária?
O que o bloco faz
Testa se a série tem RAIZ UNITÁRIA, a mesma hipótese nula do series/adf.
Muda o caminho: em vez de acrescentar defasagens à regressão para limpar a
autocorrelação dos resíduos, o Phillips-Perron corrige a própria estatística.
Por isso não tem o parâmetro de defasagens do ADF.
A leitura é invertida
Rejeitar H0 é concluir ESTACIONÁRIA. E, como no ADF, não rejeitar não prova
raiz unitária: com amostra pequena o teste deixa de rejeitar por falta de
poder. O par natural é o series/kpss, de hipótese nula oposta (H0 =
estacionária) — é quando os dois concordam que a conclusão tem chão.
O p-valor preso na borda
Com tendência, o p-valor sai de uma tabela interpolada que vai de 0,01 a
0,99. Fora dela, o valor é PRESO na borda: um 0,01 quer dizer “0,01 ou
menos”, e um 0,99, “0,99 ou mais”. Quando isso acontece, a nota do teste
diz. A decisão a 5% não muda com isso — a ressalva está lá para quem for
reportar o número. Com constante, o p-valor vem da superfície de resposta
de MacKinnon (1996), que não tem borda.
Série curta
Abaixo de 25 observações o teste rejeita mais do que o nível nominal — o
excesso é do próprio Z(t) em amostra pequena, não só da tabela —, e a nota
avisa. Medido sob passeio aleatório: com 12 observações, até 10% de rejeição
a 5%.
Termos determinísticos
- tendência (padrão) — constante e tendência linear na regressão: a
alternativa é “estacionária em torno de uma reta”. É o
stats::PP.test, e o que o bloco fazia na versão 1. - constante — só constante: a alternativa é “estacionária em torno de um
nível”. Em série sem tendência tem MAIS poder, porque não gasta um parâmetro
com uma reta que não existe (Phillips & Perron, 1988). O Z(t) é a forma geral
(Hamilton, 1994, eq. 17.6.8) com as convenções do
PP.test— janela curta de Newey-West, trunc(4·(n/100)^(1/4)) —, conferido contraaTSA::pp.test; o p-valor é o de MacKinnon (1996), o mesmo dourca.
Escolher pelo gráfico, ANTES de olhar o resultado: série que sobe ou desce de
forma regular pede tendência; série que oscila em torno de um nível pede
constante. Numa série com tendência, constante confunde a tendência com
raiz unitária.
Faltantes
Este bloco não aceita faltantes: série com buraco põe o nó em vermelho. Ligue
um series/interpolate antes, ou recorte a parte cheia com series/window.
Antes de continuar
Termos que esta página usa, em poucas palavras. As definições completas estão no glossário.
- Hipótese nula
- A afirmação que o teste põe à prova, em geral a de que não há efeito ou diferença (médias iguais, ausência de tendência). O teste mede o quanto os dados são incompatíveis com ela; não rejeitá-la não prova que ela é verdadeira.
- p-valor
- A probabilidade de obter um resultado tão extremo quanto o observado, ou mais, se a hipótese nula fosse verdadeira. p-valor pequeno indica dados pouco compatíveis com a hipótese nula; ele não é a probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira nem mede o tamanho do efeito.
- Autocorrelação
- A correlação de uma série com ela mesma deslocada no tempo: o valor de hoje parecido com o de ontem. É o padrão que os modelos de séries descrevem, e o que torna inválidos os testes que supõem observações independentes.
- Estacionariedade
- Uma série é estacionária quando média, variância e autocorrelação não mudam ao longo do tempo. Muitos modelos (como o ARIMA) a supõem; séries com tendência costumam ser diferenciadas até ficarem estacionárias.
- Tendência
- O movimento de longo prazo de uma série, de subida ou de descida, separado das oscilações de curto prazo e da sazonalidade.
Quando usar
Teste a hipótese de raiz unitária com correção não paramétrica para dependência serial e heterocedasticidade. Compare o resultado com ADF e KPSS.
Pressupostos
Os termos determinísticos escolhidos (constante, ou constante e tendência) são os da série: sem a tendência quando ela existe, o teste confunde tendência com raiz unitária; com tendência sobrando, perde poder.
Verificar:Série no tempo
Se falhar: Série que sobe ou desce de forma regular:
tendência. Série que oscila em torno de um nível:constante.A autocorrelação do erro é de dependência curta, corrigida de forma não paramétrica (Newey-West com janela curta). Com componente MA forte e negativo o teste rejeita demais.
Verificar:Correlograma (ACF)
Se falhar: Confira com o
series/adfe oseries/kpss.A série não tem quebra estrutural (mudança de nível ou de inclinação). Com quebra, os testes de raiz unitária tendem a NÃO rejeitar, e o KPSS a rejeitar, mesmo com a série estacionária dos dois lados.
Verificar:Série no tempoPettitt
Se falhar:
series/zivot_andrews, que admite uma quebra e a estima.Série longa o bastante: com poucas observações o teste tem pouco poder, e "não rejeita" não é evidência a favor de H0.
Se falhar: Leia junto com o teste de hipótese nula oposta (
series/adf×series/kpss); se discordarem, diferenciar é o lado seguro.Pelo menos 25 observações para o nível nominal. Medido sob passeio aleatório: com 12, rejeita a 5% em 7% (constante) e 10% (tendência) das vezes; o excesso é do Z(t) em amostra pequena. A
notaavisa abaixo de 25.Se falhar: Leia uma rejeição apertada como indício e confira com o
series/kpss.
Configuração
- Termos determinísticos —
tendência(padrão) ouconstante.
Exemplo
library(trama)
reg <- tr_registry()
tr_use("trama.series", registry = reg)
tr_flow(reg) |>
tr_add("pax", "series/example") |>
tr_add("log", "series/transform", from = "pax") |>
tr_add("d", "series/diff", from = "log") |>
tr_add("pp", "series/phillips_perron", from = "d") |>
tr_add("kpss", "series/kpss", from = "d")Como interpretar
Um teste (data/test). Ligado numa entrada de tabela, ele vira UMA linha de
relatório: um data/bind_rows junta vários testes num só quadro.